29/12/2015

Introdução ao Conservadorismo


“Quem não é um liberal aos dezesseis anos é um insensível; quem não é um conservador aos sessenta é burro”. (DISRAELI, Benjamin.)

O Conservadorismo não segue e não possui nenhum manual. Portanto, esse artigo não é uma regra a ser entendida como a visão total do conservadorismo.  É, apenas, a minha humilde opinião sobre as coisas e realidade na qual vivemos.  Uma opinião conservadora é o que realmente falta.  As opiniões - em sua maioria - são dadas por uma classe falante progressista, atribuídas aos conservadores, o que, hipoteticamente, seria a opinião deles, sem ao menos o direito de defesa.

 Certamente, o conservadorismo não é uma religião, ideologia, dogmas. No meio conservador, podemos encontrar pessoas de diversas religiões, gênero, cor, classe ou orientação sexual. Ou seja, desfaz o equívoco que muitos acreditavam ser lugar apenas de religiosos. Por exemplo, podemos encontrar homossexuais e ateus conservadores. No entanto, os religiosos – em sua maioria – se identificam facilmente com o pensamento Conservador.

Para o Conservador, o fim não justifica os meios, não há relativismo moral. Para alcançar tal objetivo, não se pode utilizar de qualquer método, meios. A moral deve ser sempre levada em consideração. É onde encontramos a grandeza dos homens.

O Conservador não é avesso ao progresso, à mudança, mas sabe que as mudanças devem ser feitas com prudência, para não pôr em risco a ordem social, os valores que são as bases-pilares das civilizações. Pois feita sem prudência, pode destruir aquilo que não é fácil de construir.

"O conservadorismo significa encontrar o que você ama e agir para proteger isso. A alternativa é encontrar o que você odeia e tentar destruir. Certamente a primeira alternativa é um modo melhor de viver do que a segunda." (SCRUTON, Roger).


Manter protegido aquilo que ama. Amar é um sentimento importante para vida de um conservador. Amar sua família, sua Nação, a própria existência e a continuidade civilizacional. O amor leva a proteção, a preservar, são coisas importantes para o conservador.

Preservar o que há de bom, de todas as experiências ruins, depois de guerras catastróficas – onde morreram muitas pessoas, que honraram sua pátria - mas também grandes inovações que contribuíram para a lição humana. E são essas grandes inovações que podemos trazer de bom e preservá-la por conta dos grandes sacrifícios que houveram que ser feitos, além de evitar novas tragédias.
 “Quarto, os conservadores são guiados por seu princípio da prudência. Burke concorda com Platão que para o estadista, a prudência é a maior dentre as virtudes. Qualquer medida pública deve ser avaliada por suas prováveis consequências de longo prazo, e não meramente por alguma vantagem ou popularidade temporárias. Os liberais e os radicais, diz o conservador, são imprudentes: perseguem seus objetivos sem dar muita atenção ao risco de que novos abusos sejam piores do que os males que esperam eliminar.” (KIRK, Russell. 1993). 

Na Idade Média, os grandes homens que estavam na política não são o que vemos hoje, na nossa atual classe política. Falta à nação grandes homens, espíritos conservadores. Aqueles que se preocupam com as próximas gerações, prudentes, sem pôr em risco todo o trabalho, estrutura social, feito até aqui.

 “Não pareço conservador, eu sou conservador. Conservador porque respeito aquilo que é clássico. Clássico não é o velho, clássico é aquilo que é eterno", disse Enéas Carneiro (2000).

O termo “conservador” se tornou pejorativo nas últimas décadas, mesmo que o significado e a prática sejam coisas saudáveis e naturais. Assim como em outras Nações, o povo brasileiro é, em grande parte, conservador. O conservadorismo na maioria da população brasileira é “nato”, ou seja, natural do indivíduo. Porém, não é um conservadorismo trabalhado intelectualmente, pois essa maioria não tem consciência, de fato, sobre o que é ser conservador, e se deixa ludibriar pelo discurso dos “progressistas”. Também explicado em Como ser um Conservador, de Scruton:
 “Existem dois tipos de conservadorismo, um metafísico, os outros empíricos. Os primeiros residem na crença em coisas sagradas e o desejo de defendê-los contra profanação. (...) Na sua manifestação empírica, o conservadorismo é um fenômeno mais especificamente moderno, uma reação às vastas mudanças desencadeadas pela Reforma e o Iluminismo”. 

As características conservadora (naturais) encontradas em boa parte dos brasileiros são: manutenção dos valores repassados por gerações, proteger sua propriedade (privada), sua família, direito de defesa (porte de arma); menos impostos, menos controle governamental.  Falta, ao menos, alguém para dar voz a esses conservadores e trabalho intelectual, que se perdeu ao longo do tempo e deixou o campo dos debates públicos e culturais para a esquerda.

O intelectual conservador, em primeiro lugar, deve reconhecer sua própria ignorância e ter a humildade em admiti-la. Como já dizia Benjamin Disraeli: “Termos consciência de sermos ignorantes é um grande passo para o conhecimento.” Só o reconhecimento da nossa ignorância e que somos limitados, podemos então crescer moralmente e tornarmos grandes homens. Por isso, as transformações devem ser feitas com prudência, pois o homem, em sua natureza, é falho. Não conhecemos tudo o que há no universo, por tanto, não podemos arriscar a vida e a base das civilizações por meras aventuras.

Foi nessa mentalidade irresponsável que surgiu o Socialismo. Idealizadores de um mundo melhor, que não sabiam como de fato se daria esse mundo na estrutura da realidade, causaram inúmeros genocídios. Visa destruir aquilo que é importante para uma sociedade, a liberdade. Winston Churchill disse: “O socialismo é a filosofia da falha, o credo da ignorância e o evangelho da inveja, sua virtude inerente é a divisão igualitária da miséria.” Winston Churchill era conservador e foi um ferrenho inimigo do Socialismo, pois os revolucionários socialistas queriam destruir a propriedade privada, a família, os valores tradicionais. Busca implantar o ideal socialista por vias sangrentas, transformar a sociedade e cercear a liberdade do povo.

Para o conservador, atual, o capitalismo e o comunismo não tornam as pessoas ruins ou boas, elas são o que são – independente do sistema. O Capitalismo pode causar desigualdade, o comunismo, no entanto, genocídios.  Assim como outras virtudes, o conservador entende que esses princípios devem partir do individuo. Acredita, por exemplo, que a caridade deve ser feita por livre espontânea vontade, individual, do coração do ser humano e não do Estado, como fazem ou pretendem os socialistas. Não retirar a responsabilidade das pessoas no meio social e torná-las protagonistas e não transferir para o abstrato termo sociedade.

Logo, é com a prudência que devemos prosseguir atentos aos acontecimentos, aos fatos históricos. Mantendo aquilo que é essencial para humanidade, às civilizações. Conservando o que há de bom, nossos valores e não nos iludirmos com meras aventuras. Acreditar na capacidade das pessoas, em suas forças. Preparar um bom lugar para as próximas gerações, mesmo sabendo que a ideia de um mundo melhor é falha. Evitar catástrofes sociais como o foi o socialismo. Aprender com o passado e seguir seguro para o futuro.                      

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